Sim — é normal, é exigido e o seu anfitrião está a cumprir a lei espanhola, não a ser indiscreto. Ao abrigo do Real Decreto 933/2021, os alojamentos em Espanha mantêm um registo de hóspedes e comunicam cada estadia às autoridades, na maioria dos casos nas 24 horas seguintes ao check-in. A obrigação abrange hotéis, hostels, casas de hóspedes, apartamentos turísticos, parques de campismo e turismo no espaço rural, por isso o pedido aparece tanto numa reserva direta como no Booking.com ou no Airbnb.
Porque é que me pedem o passaporte num alojamento em Espanha?
Espanha exige que os alojamentos identifiquem quem pernoita e entreguem esse registo em formato eletrónico. Não é uma regra do Airbnb nem excesso de zelo do anfitrião: o mesmo registo é preenchido na receção de um hotel e num apartamento de dois quartos em Sevilha.
O que fica registado?
O registo — ainda designado parte de entrada de viajeros — reúne os dados de identificação do hóspede e da estadia que a receção sempre copiou do passaporte no check-in. A diferença é que passaram a ser comunicados através de um sistema nacional, em vez de ficarem numa ficha em papel numa gaveta.
Quem recebe os dados e com que rapidez?
O reporte é feito através do SES.Hospedajes, o canal nacional em funcionamento desde dezembro de 2024. O serviço de hospederías da Guardia Civil e o portal Webpol são os canais anteriores. Na Catalunha e no País Basco, o reporte passa pelas plataformas regionais dos Mossos d’Esquadra e da Ertzaintza.
O prazo corre num relógio de 24 horas: os dados de reserva e cancelamento, e os dados de check-in, devem ser enviados de imediato e o mais tardar 24 horas depois de cada evento. O decreto abrange a atividade de alojamento, exercida ou não de forma profissional, pelo que o mesmo registo se aplica a um anfitrião privado com um apartamento e a um grupo hoteleiro.
Qual é a base legal hoje?
A norma com que os alojamentos trabalham é o Real Decreto 933/2021, em vigor desde 27 de abril de 2022 — consulta o texto oficial no BOE. A anterior Orden INT/1922/2003 é o quadro que o decreto substituiu, e vem referida no seu preâmbulo. As regras são também contestadas: a 4 de junho de 2026 a Comissão Europeia abriu um processo por infração contra Espanha por causa do decreto, e associações hoteleiras pediram a sua revogação. Não foi anulado, por isso nada muda para a sua estadia.
Posso recusar?
Pode, mas o anfitrião não consegue completar o registo sem esses dados. Na prática, a recusa costuma significar que o alojamento não conclui o check-in e pode ter de cancelar a reserva. Normalmente basta mostrar o documento e deixar registar os dados — o original fica consigo.
É seguro? Como reconhecer um pedido que não é legítimo?
Um pedido legítimo chega através da plataforma onde reservou ou do link de check-in digital que o alojamento envia antes da chegada. O que deve fazer desconfiar:
- um pedido para enviar a fotografia do passaporte para um email pessoal, ou para um número que não consegue associar ao alojamento;
- links que não apontam para a plataforma de reserva nem para o domínio do alojamento;
- pressão para enviar os dados antes de a reserva estar confirmada.
Um anfitrião em conformidade sabe dizer-lhe por que canal comunica. Os seus dados ficam abrangidos pelo RGPD: pode perguntar o que foi registado sobre si, corrigir erros e pedir a eliminação depois de terminado o prazo de conservação do registo.
Se é você quem recolhe os dados
A obrigação espanhola é operacional: alguém tem de recolher o documento, conferi-lo com o hóspede, introduzir os campos no SES.Hospedajes ou na plataforma regional dentro de 24 horas e guardar prova do que foi enviado. Um hotel resolve isto na receção; um gestor com uma dúzia de apartamentos turísticos normalmente não, e as falhas concentram-se nos mesmos pontos — a chegada à 01:00, o hóspede que reserva na manhã em que viaja, o passaporte enviado para uma caixa de correio pessoal.
Um sistema de gestão de hóspedes pensado para este passo trata da recolha, da verificação de identidade no check-in digital e do reporte às autoridades nacionais num só fluxo, e mantém a conversa com o hóspede em torno disso numa única caixa de entrada. O UpMarket é pensado para esse passo, para que o check-in e a identificação acompanhem a confirmação da reserva em vez de andarem atrás do hóspede à porta. Peça uma demonstração para ver o fluxo de reporte espanhol de ponta a ponta.
Vai ficar noutro país da Europa?
A mesma pergunta, regras diferentes: Portugal, Itália e França aplicam cada um a sua obrigação de reporte, e explicamos o que cada uma exige ao hóspede.
Perguntas frequentes
É legal um alojamento em Espanha pedir os dados do meu passaporte?
Sim. O Real Decreto 933/2021 obriga os alojamentos a manter e comunicar um registo de hóspedes, e refere a anterior Orden INT/1922/2003 como o quadro que o precedeu.
Como são usados os meus dados?
Entram no registo de hóspedes e são comunicados à autoridade competente da região — SES.Hospedajes a nível nacional, os Mossos d’Esquadra na Catalunha, a Ertzaintza no País Basco — e tratados ao abrigo do RGPD.
Com que rapidez têm de ser comunicados?
De imediato e o mais tardar 24 horas depois do check-in, com os dados de reserva e cancelamento no mesmo prazo.
Posso recusar?
Pode, mas o alojamento não consegue completar o registo sem os seus dados, pelo que a reserva pode ser cancelada.
É seguro?
Sim, quando o pedido chega através da plataforma de reserva ou do link de check-in do próprio alojamento — nunca envie uma imagem do passaporte para um endereço que apareça a meio da estadia.
Este guia foi revisto pela última vez em novembro de 2026.

